Aumento do risco de traumatismo dentário em indivíduos com transtorno do espectro autista

uma revisão sistemática com meta-análise

Autores

  • Izabela da Costa
  • Rafael Binato Junqueira
  • Luisa Amorim Pêgas de Souza
  • Daniele Sorgatto Faé
  • Cleidiel Aparecido Araújo Lemos

Palavras-chave:

autismo, necessidade especial, trauma dentário, trauma dentoalveolar

Resumo

Introdução: A prevalência de lesões dentárias traumáticas (TDI) em pacientes com transtorno do espectro autista (TEA) permanece inconsistente na literatura. Diante dessas discrepâncias, uma revisão atualizada das evidências sobre o risco de TDI em pacientes com TEA é essencial. Objetivos: Avaliar a prevalência de TDI em pacientes com TEA e compará-la com indivíduos sem TEA por meio de revisão sistemática e meta-análise. Metodologia: O protocolo foi registrado no PROSPERO (CRD42024580127) e seguiu o Cochrane Handbook e as diretrizes PRISMA. Foi realizada busca em MEDLINE/PubMed, Web of Science, Scopus, Embase, literatura cinzenta (ProQuest) e listas de referências até agosto de 2024. A meta-análise foi conduzida no software R. A qualidade metodológica dos estudos foi avaliada pela ferramenta do National Heart, Lung, and Blood Institute (NIH), e a certeza da evidência pelo GRADE. Resultados: Foram incluídos 22 estudos para a prevalência geral de TDI, sendo 16 comparativos entre indivíduos com TEA (n=2.162) e controles (n=1.655), totalizando 3.817 participantes. A meta-análise de braço único estimou prevalência de TDI de 22% (IC 95%: 17%–27%) em pacientes com TEA. Comparados a controles, indivíduos com TEA apresentaram risco significativamente maior de TDI (OR: 1,67; IC 95%: 1,19–2,26; p=0,003). Contudo, observou-se heterogeneidade substancial. A maioria dos estudos foi classificada como de boa qualidade, mas a certeza da evidência foi considerada muito baixa. Conclusão: Pacientes com TEA apresentam risco aumentado de TDI em relação a indivíduos sem TEA. Apesar das limitações e da baixa certeza da evidência, esses achados reforçam a necessidade de estratégias preventivas e programas educacionais para reduzir o risco de TDI nessa população.

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Publicado

2026-03-24